Sábado, 17 de Maio de 2008

Bombas atômicas e casinhas de cachorro

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Disciplina é um assunto raro nos meus artigos, deve ser porque não enxergo disciplina com os olhos da igreja, prefiro as lentes de Jesus.

Essas lentes filtram toda a crosta de pecado que há no ser humano e nos deixa de frente com o que resta do indivíduo que é sua fragilidade diante de lidar com determinadas situações e a fagulha de Deus que existe em cada um de nós. Quando encaramos o outro dessa forma, entendemos porque tantos erros e tanta imaturidade. Mergulhamos na introspecção e recordamos do quanto somos parecidos. Talvez, os “delitos” sejam diferentes, mas como na ótica de Deus não existe tamanho de pecado, nem nível de gravidade, estamos todos no mesmo barco.

Quantas pessoas você conhece que foram levadas a julgamento e sentenciadas sumariamente dentro de nossas igrejas por intermédio de nossos sumo sacerdotes e juízes de plantão? Já vi inúmero casos...

Certa vez uma mulher foi impedida de batizar-se por conta de uma pendência judicial, porque vivia maritalmente com alguém. A outra, uma menina foi impedida por conta de suas unhas negras e um piercing no nariz. Quanto legalismo...

Jesus jamais deixaria de fora de suas bodas gente desse tipo, que está sinceramente buscando andar com Deus, mas que é diferente no seu modo de vestir. Tampouco impediria uma mulher que vive maritalmente a anos de receber o batismo, visto que por muito menos já havia perdoado e intercedido por uma mulher adúltera e por prostitutas.

A verdade é que disciplina na igreja é como tratar caspa com decapitação, é como usar uma bomba atômica para demolir uma casa de cachorro. É por essas e outras que um pastor próximo disse certa vez: “A igreja é a única instituição que enterra os seus heróis vivos”. E ele tem razão, cada ocorrência é tratada como se o mundo estivesse acabando, com alarde, com desdém pela vida, com a explanação da vergonha do próximo e sem nenhum cuidado para reconduzir as pessoas envolvidas a comunidade da fé.

A perspectiva da igreja hoje é excludente, quando deveria ser segundo Jesus de inclusão no corpo. Em todo tempo que esteve encarnado, Jesus jamais excluiu ninguém da sua presença, pelo contrário, por onde passou foi conciliador, agente de paz e extremamente compromissado com os dramas da humanidade, a ponto de salvar um ladrão que havia vivido uma vida inteira na criminalidade, mas que agora, no último momento decidira experimentar a Cristo.

Que nosso moralismo sempre esteja abaixo de nossa compaixão. Que nosso senso de decência sempre esteja submetido ao amor de Cristo, para que não façamos como alguns que há anos vem matando gerações de jovens com seu discurso legalista e excludente, ao invés de cederem ao imensurável e incondicional amor de Deus.

Que deus tenha misericórdia de nós e nos ensine a viver como irmãos...

Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

Cristianismo sem crise? Como? Se eu vivo em crise...

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Eu vivo em crise... Quando não é por uma coisa é por outra. Sou melancólico, penso demais na morte, hoje como uma benção não como uma maldição, mas não consigo digerir a falta que a falta faz, fico triste com situações pequenas e não me sensibilizo às vezes com questões maiores. Questiono coisas que ninguém questiona, falo de assuntos que ninguém comenta, escrevi dois livros, um extremamente crítico e outro em resposta a esse, sou paradoxal às vezes e ainda acho que uma tarde livre e dois amigos é o paraíso... cara eu sou uma bomba relógio!

Eu to em crise! Ouço música boa, los Hermanos, legião urbana, the doors, velvet revolver, Claudio Zoli, Crombie, VPC, João Alexandre, Expresso Luz, Asaph Borba... choro quando ouço certos hits, vibro e pulo com outros mais agitados, vejo filmes onde o mocinho se ferra e gosto desse negócio de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, do estilo sin city, pulp fiction, vou a loucura quando lançam um filme baseado nos quadrinhos, aprecio a “musicalidade” de john Mayer, Robert Trujillo (metallica), Dave Lombardo e Tom Araya (Slayer), Juninho Afram (Oficina G3), da galera toda do Crombie (putz esses caras me pegaram), enfim, além disso tudo ainda gosto de tomar uma geladinha de vez em quando. Agora já era, porque além de tudo sou pastor, e pastor não faz essas coisas né, (ou pelo menos não assume que faz).

Eu estou falando isso aqui porque tenho fé que muitos prestarão solidariedade a esse post e se sentirão livres para escrever também sobre o tema, porém, admitindo que tenho telhado de vidro, to me preparando para trocar vários deles porque pedrada é o que não vai faltar... e daí começa outra crise! Mas tudo bem, se for pra ser a mulher adúltera da vez, sei de uma coisa, Jesus vai comprar minha briga... e aquele que não tem crises, que me atire a primeira pedra!!!!!!!

Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

Eita mundão bão de acabar!

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Sou passimista sim... porém um pessimista paradoxal. Acredito em algum tipo de melhora através do testemunho cristão, porém não acredito na melhoria da política, nem no surgimento de um sistema de governo salvador. Fico pensando o que aconteceria se no Brasil, resolvessem atacar o prédio do senado, ou a câmara dos deputados como fizeram no World trade center? Melhoria ou prejuízo? Penso também se pessoas resolvessem encher o corpo de bombas e explodir em plena praça XV ou no centro de SP? Como regiríamos? Por muito menos, já nos escondemos de nossas responsabilidades, nos esquivamos de falar o que pensamos e acabamos mentindo para não ferir o outro... Onde está a brava gente brasileira que não vê 9000 crianças passando fome somente em Niterói? Que não vê que grande parcela da população gonçalense vive abaixo da linha da miséria?

Por outro lado, percebo que há uma brava gente que inocentemente ainda batalha ardorosamente pela sobrevivência e que constrói um espaço melhor para se viver. Essa galera ta passando necessidade debaixo do nosso nariz, ta subindo e descendo o morro sob tiroteio e divide o que não tem com quem por incrível que pareça precisa mais que eles. É a turma que presencia horrores na vida pessoal e ainda tem forças para reagir e vencer as batalhas do dia a dia mesmo com apenas uma refeição mal feita por dia na barriga.

Tenho pavor das esmolas dadas pelos abastados aos pobres. tenho medo do assistencialismo e até peco por tamanho temor. Falo isso, porque quando Jesus parou para analisar ofertas que eram depositadas nos gasofilácios do templo, ele viu dezenas de pessoas abastadas dando aquilo que sobrava para os necessitados, enquanto uma viúva pobre depositou cerca de 2/4 do salário diário de um peão de obra na urna e emocionou Jesus. Não importa o valor da oferta, importa a motivação e a proporcionalidade da entrega. Quem dá o que sobra não se importa com o outro como deveria, mas quem divide o que tem e promove igualdade tem tudo. Porém essa é uma raça em extinção, e hoje quando penso em iniciativas para tentar equiparar as coisas, só vejo uma saída: Acaba logo mundo, para que chegue um reino de paz em que todos os homens sejam iguais e nivelados em poder.

Mas, como diria Renato Russo... vamos com calma!